A Casa do Zezinho é uma entidade não governamental, localizada entre os bairros Capão Redondo, Parque Santo Antônio e Jardim Ângela, na zona Sul da cidade de São Paulo.
Fundada em 6 de março de 1994, a Casa abre a todos os Zezinhos um espaço de ação e de realizações em seus 3.200m², construídos especialmente para crianças e jovens do bairro.
Completando 16 anos em 2010, o projeto atende 1.200 Zezinhos entre 6 e 21 anos, que frequentam escolas públicas da região.
A Casa do Zezinho é lugar de reconhecimento, de respeito, de inclusão e de amigos. Um lugar de esperança para o futuro tocado pela graça da convivência, do afeto e, sobretudo, da liberdade. Um espaço verdadeiramente familiar.
CARTA DA TIA DAG
Em 1993, quando resolvi fazer a Casa do Zezinho, já trazia 21 anos de periferia no coração. Foi uma luta brava e um longo aprendizado.
Comecei esse trabalho atendendo crianças na Favela do Fedô, Parque Arariba, zona Sul de São Paulo, ao redor da minha casa, onde morava com meu marido e filhos.
Sou uma dessas brasileiras que nunca se conformou com a exclusão. Vinda de uma família de educadores e formada em pedagogia, arregacei as mangas e não parei mais até hoje.
Por que permaneci nesta luta? Porque defendo o direito de sonhar que a criança tem, o direito que ela tem de escolher seu destino, pertença ela a que classe for.
O que a gente tem visto hoje em dia é que muitas famílias vêem o filho como mão de obra, já nasce com esse carimbo, seja pobre ou seja rico (lógico que para os pobres isso é ainda mais explícito). Se é pobre vai fazer cursos de profissionalização, se é rico vai fazer inglês, francês, alemão, computação, tênis, futebol, tudo porque os pais já projetam o futuro do filho. Alguém se lembrou de perguntar para a criança o futuro que ela quer? E assim nega-se a ela um futuro com autonomia de escolha.
E as crianças da periferia? Por que elas têm que ser programadas para o trabalho árido, sem sonhos, sem prazer, sem lazer? Por que o modelo que é válido para a criança da periferia é o do curso profissionalizante? E a arte, a cultura, a brincadeira? A criança já não brinca mais, ela pula esta etapa.
Por que pular etapas? O que é que isso traz de bom para a criança? Por que ela não pode ser moleque e esperar para ser adulta quando adulta ela for?
A criança tem que crescer feliz, sem pular etapas, porque quem cresce feliz vai saber escolher seu futuro. E sabendo, e podendo, escolher o próprio futuro, já é meio caminho andado para que ela seja bem sucedida na vida, seja lá o que for que ela tiver escolhido para si mesma. A escolha foi dela, consciente.
Tia Dag
(Dagmar Garroux, presidente da Casa do Zezinho)













