Rosana Maria do Nascimento Farias

Rosana Maria do Nascimento Farias, 17 anos, educadora do Projeto Reutiliza, Zezinho!
"Por que não substituir os copos descartáveis por canecas?"

Fiquei quatro anos na lista de espera e consegui entrar na Casa em 2008, no projeto Toca, Zezinho!. Passei por vários instrumentos até chegar em um que realmente gostava, que era o trompete. Fui avançando, fiquei dois anos na orquestra, até que me ofereceram a oportunidade de entrar na Casa, na sala Oriente. Lembro do momento em que a gente estava discutindo sobre o efeito estufa, a Tia Dag ouviu e entrou na sala. No que ela entrou, falou: "Vocês vão ter que me dar uma solução pra gente ajudar o planeta. Me deem uma solução para os copos descartáveis ou acabo com a sala de vocês." Desse jeito. Falei: "E agora?". A CZ usava 3 mil copos descartáveis por dia. Aquilo ficou na minha cabeça, pensei por três dias e escrevi uma carta pra Tia Dag dando uma solução: por que não substituir os copos por canecas? Cada Zezinho teria a sua, levaria de volta para lavar em casa, não teria gasto com detergente. Ela falou: "Beleza!".
Hoje, cada Zezinho tem sua caneca e não existe mais copo descartável aqui. No ano seguinte, quando já estava no projeto Século XXI, pensei: "Se eu tive a ideia da caneca, por que não continuar?". Eu trabalho com reutilizáveis desde os 8 anos, já era uma coisa minha. Falei: "Tia Dag, posso continuar?". Ela disse: "Pode". E escrevi um projeto, que se tornou o Projeto Reutiliza, Zezinho! (PRZ), com a ajuda da educadora e bióloga Ágata Gil, que hoje não está mais aqui em São Paulo. Começamos a trabalhar produção e a vender as coisas que fazemos, como capas de tablet, de celular e carteiras. Desde pequena recorto tudo dentro de casa, minha mãe ficava louca com isso. Aos 8 anos, pegava caixa de leite, lavava, revestia com papel de presente, colocava uma alça e vendia para os vizinhos. Sempre curti meio ambiente, sempre fui apaixonada por bicho, desde menina vejo poluição, o rio Tietê sempre me chamou atenção, desde que nasci ele é preto. E isso veio do meu pai também, ele é descendente de índio, sempre fomos pescar juntos, acabou me incentivando. Tanto que queria ser bióloga. Hoje não mais, já entrei na área do empreendedorismo e do meio ambiente, quero fazer design de interiores. Acho que é o único curso que dá para agregar a minha arte com a minha profissão; sendo designer posso criar meus próprios móveis, minha própria decoração.
Depois de criado o Projeto Reutiliza, Zezinho!, o passo seguinte foi dividir com os outros o que eu já sabia, que era aquela coisa que fazia na infância com a caixa de leite. A gente ia atrás do material, e, com o aval da Tia Dag, juntava alguns jovens para dar oficina, mas era difícil pois tínhamos 15 anos, não sabíamos ser educadores e lidar com uma sala de 20 jovens iguais a nós, às vezes eles não respeitavam. Então não deu muito certo. Começamos então a pegar caixotes nas feiras. Aí a gente lixava, pintava de branco, recortava desenhos de revistas e saímos encapando. Começamos a vender para quem visitava a CZ e aqui dentro mesmo, até na Gastronomia tem uma estante nossa. E aí foi crescendo... Hoje, o logo do PRZ é o desenho de uma favelinha, ficou sendo a estampa principal, que um dia alguém do grupo desenhou e que representa onde a gente mora. Agora, estamos começando a pegar móveis velhos para reformar, e dar uma nova cara. Mas meu novo desafio é a proposta que a Tia Dag fez, de abrir uma oficina do Projeto Reutiliza, Zezinho!. Agora, o PRZ entrou na grade da Casa, vai funcionar diariamente e todas as salas do Arco Íris vão passar por ele. "Por que não abrir para todo mundo ter acesso?"

Observação
Durante o ano de 2014 o PRZ foi incorporado ao projeto Caminho da Transformação, e Rosana não está mais na CZ, pois está trabalhando e estudando.