Osmar Eduardo

Osmar Eduardo, 47 anos, porteiro da Casa do Zezinho
"Fico na portaria. Tomo conta das crianças. Guardo a Casa para ninguém mexer."

"O bom homem anda na linha reta. Sigam sempre o rumo do pai, trabalhar, trabalhar..." Foi com essas palavras que minha mãe criou nove filhos.  
Conheço a Casa desde os nove anos. Bati na porta da casa da Dag para pedir material escolar.
- Só material?
- Não, quero escola também, mas não tenho "dicumento".
Consegui o documento e comecei a estudar. Essa época ainda não tinha Casa do Zezinho.
Fui expulso na 4ª série. Nunca mais fui para a escola. Tia Dag ficou "uma arara". Pronto, lá tinha eu que escrever não sei quantas mil vezes: "Eu não devo ser mal educado na escola." E ela me punha para trabalhar: limpar o jardim.
Depois eu também tomava conta, no portão. Tinha uns sete moleques que só ficavam "enchendo o saco" e eu punha os meninos para correr. 
- Chama eles!
Éramos uma família. Graças a Deus expandiu.
Cresci aqui dentro. Minha segunda casa.  Arrumei uma pessoa "mil", Tia Dag, minha segunda mãe. Dos sete amigos que tive hoje só eu estou vivo. As oportunidades que ela me deu, não largo.
- A Corina?
- É irmã. Adoro ela. Qualquer problema, coisa errada, falo com ela.
Hoje tenho 47 anos. Fico na portaria. Tomo conta das crianças. Guardo a Casa para ninguém mexer. Faço uns bicos, também.
Só ando na linha reta que é para não levar o mal para ninguém. Certo é certo. Não enrolo, não gosto disso. Eu sou desse jeito.
Para os meus filhos eu digo que estudem. Vida de segurança não é sopa.
Conheci minha mulher, a Patrícia, aqui na Casa. Ela tinha 14 anos e estava ajudando na cozinha e logo falei: Ah, ainda vou casar com essa. A gente mora junto, temos 3 filhos.
Mas a minha maior perda foi a morte do Sr. Waldemar, pai da Tia Dag. Depois a perda do Paulinho.
Sabe, aqui tô de boa, sou feliz aqui.
Esse é o Osmar Eduardo.
- E por que, Zinho?
- Era para ser Fininho, porque eu era muito magrinho, mas meu finado pai me chamou de Zinho.  É assim que me conhecem.